segunda-feira, 10 de maio de 2010

Trilha Sonora do filme 'Collision'

Diferente da trilha sonora do filme 'O corpo', já haviam se passado alguns anos, anos críticos demarcando o declínio e queda da minha adolescência e meu interesse em levar cada vez mais a sério meu trabalho. Meu trabalho de roteirista do filme, assim como o trabalho de compor a trilha sonora e atuar no mesmo. Duas dessas funções já se concretizaram, enquanto que o filme não foi rodado ainda, a previsão para isso acontecer é na metade desse ano. A proposta do filme é um drama sobre um relacionamento com uma certa carga emocional, misturado com elementos de ficção científica. O filme é pensado para ser distribuído gratuitamente em TODO seu conteúdo, dentro do conceito de copyleft (materiais sobre o filme e maiores informações podem ser encontradas no site oficial: www.culturaebarbarie.org/collision), baseado nessa idéia de um filme aberto, me era permitido utilizar apenas programas de código aberto para a confecção da trilha sonora. Aceitei o desafio sabendo que todos os recursos que eu tava acostumado a usar e que já tinha conhecimento que funcionavam para minhas aplicações eram proibidos para mim agora. Encarei o Audacity, sem nenhuma pretensão de baixar plugins gratuítos que rodassem nele ou aumentar a minha experiência com o programa. Meio sem querer, deixei que aquele programinha se incorporasse na estética da minha música. As frequências estouradas, os clicks, os pequenos barulinhos são a voz nada neutra desse programa impresso nas músicas, e é uma estética que, combinada com a estética que eu mesmo imprimi com os instrumentos, é uma coisa bizarra, lo-fi que eu aprecio muito - assim como os amantes do vinil amam seus barulinhos e os amantes da fita sua saturação (uma comparação livre).

A primeira música que posto aqui é uma brincadeira com ataque e release. Não to nem falando de parâmetros de compressor, mas de picos de volume repentinos que depois somem abruptamente, um clima que beira o caos, que demonstra uma violência gratuita - enquanto uma voz invertida clama chorosamente algo ininteligível, sons se mesclam - um som repetido de forma a parecer um helicóptero em diversas velocidade, um didgeridoo que colhi do freesounds.org e distorções desses sons. O nome 'vocalgrave' é uma brincadeira com o as duas línguas usadas no filme, o português e o inglês, sendo que em inglês carrega um sentido mais sinistro (grave: túmulo).

Aviso: algumas músicas que to postando no blog estão em ogg. Se o seu programa de reprodução de audio não rodar esse arquivo, baixe o codec (é até bom pra outra ocasião em que um ogg pode aparecer por aí).

A segunda música que posto aqui é mais 'orgânica' do que a última. enquanto a última tem uma estrutura caótica, a estrutura dessa próxima se baseia em um dedilhado feito para o violão, com a estrutura da música seguindo esse dedilhado, complementado por um teclado e um vocal sampleado, mas novamente minha própria voz. Tudo isso mixado jogando fora qualquer lógica de regrinhas de como harmonizar os sons e conseguir um resultado limpo - pelo contrário, escolhi jogar sujo, descaracterizar o som, fugir da convenção. Por exemplo, a convenção diz que se um vocal tem um som de 'S' muito pronunciado, existe um plugin chamado 'De-esser' feito para corrigir esse problema específico. Em uma outra música da trilha eu acentuei justamente as frequências onde ocorriam esse 'S' causando um efeito bizarro que deixaria o som desagradável, fosse o objetivo da minha estética agradar. O efeito geral dessa segunda música é algo intímo e dramático, com a frase 'my soul' repetindo em vários tons e invertida. Por esse motivo dei a ela o nome de Harp Of God, pois com a minha equalização o violão soa como uma harpa, ou se preferirem, por que nossa alma é a harpa com a qual Deus faz a sua melodia.


Coloco essa terceira por que é uma música simples que para mim carrega um sentimento forte. talvez ela seja a que tenha o maior caráter 'canção' de todas as músicas da trilha desse filme - um piano simples acompanhado por um 'string' simples. tudo feito usando meu teclado Roland EXR-5. A gravação de todo o audio dessa trilha foi feito com o meu Zoom H2, um gravador portátil que grava com uma boa qualidade. Logo haverá um post sobre os meus equipamentos. Depois de gravado o teclado, claro, uma boa equalização maluca pra distorcer o som, uns barulhinhos a mais para dar o charme, e voilá: Fallen Leaves.



João Pedro Garcia

Nenhum comentário:

Postar um comentário